Exames Realizados    

pH-METRIA ESOFÁGICA PROLONGADA    

 

 

 

 

PERGUNTAS FREQÜENTES

O que é pHmetria esofágica prolongada?
A pHmetria esofágica prolongada ou de 24 horas é um exame que tem por finalidade detectar e caracterizar o fenômeno do refluxo gastroesofágico, propriamente dito.

 

Quais as Indicações da pHmetria esofágica prolongada?
Segundo o Consenso Brasileiro da Doença do Refluxo Gastroesofágico está indicada nas seguintes situações

1- Pacientes com sintomas típicos de DRGE :que não apresentam resposta satisfatória ao tratamento com IBP (inibidor de bomba protônica) ex: Omeprazol, e nos quais o exame endoscópico não revelou dano à mucosa esofágica (esofagite). Nestes casos, o exame deve ser realizado na vigência de medicação.

2- Pacientes com manifestações atípicas extra-esofágicas como otorrinolaringológicas (laringite, faringite,etc), respiratórias (tosse crônica, asma etc) e dor torácica (peito) de

origem não-cardíaca onde não foram observadas evidências de esofagite. Nesses casos é recomendada a realização de exame pHmétrico com dois ou mais sensores de pH para caracterização simultânea do refluxo gastroesofágico e do refluxo supraesofágico (laringofaringeo);

3- Pré-opreatório nos casos em que o exame endoscópico não demonstrou esofagite.

 

Qual a vantagem de se realizar a pHmetria esofágica prolongada na doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)?
Não é mais considerada como “padrão-ouro” para o diagnóstico da DRGE, porém a pHmetria esofágica prolongada constitui o melhor procedimento disponível até o momento para caracterizar o refluxo gastroesofágico (ácido) e permite a correlação dos sintomas referidos pelos pacientes com os episódios de refluxo (índice de sintomas). Por meio da pHmetria esofágica prolongada é possível quantificar a intensidade da exposição da mucosa esofágica ao ácido.

Convém mencionar que a pHmetria esofágica prolongada não de destina ao diagnóstico da esofagite de refluxo, mas apenas à caracterização do fenômeno do refluxo propriamente dito.

 

Existem exames alternativos, que podem nos dar as mesmas informações, que a pHmetria esofágica prolongada?
Não existe nenhum exame alternativo. No RX contrastado é encontrado refluxo gastroesofágico em 60 % dos pacientes com sintomas típicos e em aproximadamente 25 % dos pacientes sem qualquer sintomatologia que sugira refluxo gastroesofágico.

 

Quais as Orientações e preparo do paciente necessários  para a execução do exame de pHmetria esofágica prolongada?
O exame de pHmetria esofágica prolongada é sempre precedido de uma manometria esofágica para localização correta dos esfíncteres inferior e superior de esôfago.

Após a manometria esofágica é introduzido o cateter de pHmetria, com o paciente acordado . Não é indispensável acompanhante.

Após o término do exame o paciente poderá se alimentar, dirigir e trabalhar, dependendo do tipo de trabalho exercido. Caso necessário é fornecido atestado para o dia.

O pacientes não pode ter sido submetido a sedação nas 6 horas que antecedem ao exame.

Jejum mínimo de 6 horas, jejum total, não tomar nem água.

Orientar o paciente que tome banho antes do exame pois durante a monitorização o banho é proibido.

As seguintes Medicações que possam alterar o funcionamento normal do esôfago devem ser interrompidas, no mínimo 48 horas antes do exame. Entre elas:

nitratos (Isordil, Sustrate); bloqueadores do canal de cálcio (Adalat, Cardizen, Oxcord, Diltiazen); anticolinérgicos (Buscopan, Hioscina, Atroveran); agentes procinéticos (Plasil, Digesan, Motilium, Cispride, Prepulsid) e sedativos(Valium, Diazepan, Lexotan, Olcadil, Frantal). Na dúvida pergunte ao seu médico.

Medicações que devem ser suspensas 7 dias antes do exame: Omeprazol, Pantoprazol, Lasoprazol, Rabeprazol e Esomeprazol; (Losec, Gastrium, Pantozol, Ogastro, Pariet,Nexium,etc.)

Medicações que devem ser suspensas 48 horas antes do exame: Cimetidine, Ranitidine, Famotidine; (Tagamed, Zylium, Label, Logart, Famox,etc.).

Medicações que devem ser suspensas 6 horas antes do exame: Antiácidos (Hidróxido de Alumínio, Mylanta plus, Pepsamar, Andursil, etc.).

Trazer o resultado dos exames realizados anteriormente. Todo paciente a ser submetido a estudo pHmétrico deve, no mínimo ter sido submetido previamente a estudo endoscópico do esôfago.

Trazer a solicitação médica do exame

São explicados com detalhes e calma todos os passos envolvidos na execução do exame, eventuais desconfortos e benefícios esperados com a realização do exame.

Uma avaliação das condições psicológicas do paciente é realizada. Frente a condições psicológicas desfavoráveis é preferível explicar o exame para o paciente e pedir que ele retorne em outro dia para sua realização.

 

Quais as limitações da pHmetria esofágica prolongada?
A pHmetria esofágica prolongada até pouco tempo atrás era considerada o padrão ouro no diagnóstico do refluxo gastroesofágico (RGE) ácido. Entretanto, muitos pacientes com sintomas sugestivos de RGE (cerca de 30%) apresentam persistência dos sintomas, quando estão sendo tratados com medicamentos antissecretores (Bloqueador H2 e Inibidores de bomba de prótons - IBP). Estes sintomas tem sido atribuídos a RGE "não-ácido" (pH>4).

Quando a acidez gástrica está tamponada, como no período pós-prandial ou durante tratamento com IBP, o RGE é essencialmente "não- ácido" e, portanto, dificilmente detectado pela pHmetria convencional. Essa limitação do método criou a necessidade de desenvolvimento de técnica capaz de medir o RGE "não-ácido".

 

Quais são os métodos disponíveis para detectar refluxo não-ácido?
Dispomos da cintilografia, bilimetria e impedâncio-pHmetria esofágica prolongada.

Os métodos disponíveis tais como cintilografia e bilimetria, não são satisfatórios.

A cintilografia monitoriza por períodos curtos e expõe à radiação.

A bilimetria não detecta refluxo "não-ácido" sem bile, além de correlacionar-se mal com pHmetria. Somente a Impedâncio-pHmetria esofágica prolongada registra o fluxo retrógrado de conteúdo gástrico, independente de seu pH, sendo o exame indicado.

 

Como é e quais são os tipos de cateter de pHmetria esofágica prolongada?
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O cateter de pHmetria é composto por 2 partes: o cateter propriamente dito, constituído por um eletrodo de antimônio, no caso de cateter de um canal e um eletrodo de referência externa, que é fixo no tórax do paciente com micropore. Existem catéteres com 2 ou mais eletrodos de antimônio, que são chamados de 1, 2 ou mais canais  Os cateteres com 2 ou mais canais têm distância fixa entre os pontos de registro (5,10,15, ou 21 cm). Devemos escolher em função dessas distâncias o cateter mais adequado para atender aos objetivos específicos de cada exame. Com isso, podemos avaliar a presença de refluxo gastroesofágico e de refluxo no canal superior, refluxo supra-esofágico (laringofaríngeo).

 

Em que altura do esôfago o cateter de pH deve ficar ? Existe uma altura específica?
Sim, existe uma altura específica para cada paciente.

O cateter deve ficar posicionado 5 cm acima da borda superior do esfíncter inferior do esôfago. Para que os resultados obtidos por meio da pHmetria apresentem fidelidade e reprodutibilidade, na realização do procedimento, o examinador deve seguir adequadamente a técnica do exame e entre esses aspectos, o posicionamento correto do eletrodo é fundamental. Na atualidade, a manometria esofágica é considerada o método ideal para posicionamento do cateter de pHmetria, por fornecer a localização exata do esfíncter inferior do esôfago, devendo der realizada previamente.

 

Caso o serviço não disponha de manometria esofágica, a localização do esfíncter inferior de esôfago poderá ser realizada por outra técnica?
Não. É preferível não realizar o exame de pHmetria, pois sem uma localização exata o refluxo poderá ser superestimado ou subestimado, portanto sem valor.

 

Como é a execução do exame de pHmetria esofágica prolongada?
O exame inicia-se pela escolha do cateter, que será específico para atender as necessidades de cada paciente, após localização dos esfíncteres inferior e superior do esôfago por manometria esofágica prévia. O eletrodo de referência externa é fixo no tórax do paciente.

A introdução do cateter de pHmetria é, geralmente, incômoda, por esse motivo temos como  “conduta  do  serviço” :

1 - Ter a máxima delicadeza e paciência, com a experiência de mais de 1500 (exames) passagens de sonda.

2 - Sem preocupação com tempo de duração do exame, por este motivo marcamos poucos exames ao dia.

A introdução do cateter é feita com o paciente sentado, sem necessidade de remoção de próteses dentárias.

Aplica-se gel anestésico na narina que estiver mais desobstruída e na orofaringe e pede-se para que o paciente inspire o gel, com objetivo de anestesiar o trajeto a ser percorrido pela sonda.

O cateter é introduzido lentamente na narina que foi anestesiada e quando sentimos que está na faringe posterior pedimos que o paciente flexione o pescoço para frente, para facilitar a entrada do cateter no esôfago. Durante todo o tempo o paciente é tranqüilizado.

O cateter é então introduzido até o estômago, com objetivo de verificar a acidificação e ter certeza que o cateter não está dobrado. Caso não se registre pH ácido damos um pouco de

suco de laranja ao paciente, com isso podemos saber se a não acidificação se deve a falta de conteúdo gástrico ou problemas no sistema de registro do pH.

O cateter é tracionado até 5 cm acima da borda superior do esfíncter inferior do esôfago, fixado externamente na face com micropore e conectado a um aparelho portátil, que irá monitorizar o pH do esôfago. O aparelho é ligado e começa a monitorização.

Fornecemos um diário ao paciente, no qual ele possa registrar os horários das ingestões orais, dos períodos de decúbito horizontal e o horário e tipo de sintomas apresentados.

Um telefone de contato é fornecido para qualquer eventualidade.

Após o exame o paciente poderá alimentar-se, dirigir, trabalhar, enfim voltar às suas atividades normalmente. Caso o paciente não se encontre apto para trabalhar, fornecemos um atestado para o dia.

O paciente retornará na manhã do dia seguinte para retirada do cateter.

Após retirada do cateter o exame é transferido a um computador. Através da análise dos dados do diário e do gráfico da monitorização podemos chegar a uma conclusão.

 

Qual o tempo mínimo de monitorização de pH para se ter um resultado confiável?
O tempo mínimo aceitável é de 18 horas. Menos disso o exame será inconclusivo, havendo necessidade de repetí-lo.

 

Quais são outras possíveis utilidades para a monitorização do pH?
O sensor pode ser colocado no estômago, durante uso de medicação, para determinar se este está sendo efetivo. Durante uso de medicação podemos utilizar o cateter com 2 canais, um canal no estômago e outro no esôfago, para avaliar se ocorre refluxo na vigência de tratamento. Outra maneira é utilizar cateter de 2 canais, um canal no esôfago e o outro na faringe, para a detecção de refluxo supraesofágico (laringofaringeo), em casos de tosse crônica, dor de garganta, asma etc.

 

Quais são os possíveis efeitos colaterais durante o exame de pHmetria esofágica prolongada?
São poucos os efeitos colaterais. O paciente relata desconforto na garganta, principalmente durante a deglutição, devido a passagem do cateter neste local. A grande maioria dos pacientes não têm dificuldades para comer, dormir, enfim realizar suas atividades diárias. Muitos pacientes preferem não trabalhar no dia do exame, por sentirem-se desconfortáveis pela presença do cateter.

 

Quando tempo demora para se ter o resultado da pHmetria esofágica prolongada?
Em aproximadamente 2 dias o paciente receberá o resultado do exame e poderá então retornar ao seu médico para uma conduta terapêutica.